quarta-feira, abril 11

É a mais pura verdade!

Nem adiantou voar. Ele perdeu e pronto. O que eu posso fazer?
Não sei o que dizer e nem me pergunte como, mas lá estava eu escalado. Engraçado. Mas porque eu? Mesmo agora, no meio da tarde do dia seguinte, enquanto tento me lembrar de novos detalhes, ainda não tenho respostas. O certo é que o meu nome aparecia na relação de baterias válidas pelas oitavas de final de um internacional qualquer na praia Mole.

E eu não teria moleza, afinal meu adversário era nada mais nada menos que o octacampeão mundial. Isso mesmo eu teria pela frente Kelly Slater. Havia pouca gente na praia. O dia estava começando, o sol aparecia tímido entre as nuvens e, na praia, pouca gente acompanhava as disputas. Quando meu nome era anunciado pelo locutor, alguns amigos apareceram do nada para me dar aquela força. Peguei a lycra no palanque e, enquanto me preparava passando o raspador na prancha, Slater passou e me acenou com a cabeça e com ar contido. Não percebi nenhuma rivalidade, mesmo porque, pra mim, tudo era surpresa, uma novidade inacreditável. Como é que eu havia chegado ali?

O mar estava com ondas pequenas que não passavam de 1 metro, predominavam direitas, bem alinhadas. Enquanto caminhava pela praia procurei pela minha família e apenas num rápido flash vi minha mulher sentada embaixo de uma barraca ao lado de uma menina, de pele morena, devia ter uns 20 anos. Era a namorada do “homi”. Não sei como mas as duas pareciam se conhecer de longo tempo. Aquilo me chamou a atenção. “Ué! Porque as duas estão juntas ali? Nem sabia que elas se conheciam!”.

Aí, fui pra água e abri o confronto com uma onda curta que me valeu uma nota 4 e pouco. Pois o Kelly veio na onda de trás manobrando no seu melhor estilo e fez um 6 e qualquer coisa. Minha segunda onda apareceu na seqüência. Um drop tranqüilo, a virada, uma batida limpa, e mais outra na junção. Minha nota foi um 6 e alguma coisa. A partir daí as ondas sumiram como num passe de mágica. O mar ficou totalmente flat. E lá fora ficamos nós, eu e o “Oito Vezes”, esperando por nada. Eu não podia acreditar. Estava fazendo a mala do cara mais idolatrado do mundo do surfe, contando os minutos, segundos!

Mas, de repente, uma nova e boa onda surge. Ele se posiciona e eu o vigio na sua remada. Lá de fora vejo sua série de manobras de incrível controle e velocidade jogando muita água para todos os lados. Mas ele não contava que aquele era o meu dia de sorte, e simplesmente do nada, surgiu uma direita tubular, perfeita, vindo em minha direção.

A água estava clara, agradável, o mar liso, e depois de chegar na base atrasado, encaixei no trilho e andei por alguns milésimos de segundos lá dentro. Incrível. Sensação única. Sabia naquele momento que havia vencido e que passava a fazer parte do pequeno grupo de privilegiados, daquela meia-dúzia de dois ou três surfistas, que já o venceram. Ao sair da água, atônito, mal tive tempo de lhe implorar desculpas e dizer que foi sem querer!

Acordei adrenalizado, com o coração a toda. O relógio ao lado da cama marcava 5h46. Já era hora de levantar, lavar o rosto, escovar os dentes, trocar de roupa, entrar no carro e me jogar pra praia, para mais um dia de boletim no rádio. Ainda deitado, me recuperando de todo aquele clima, fui obrigado a acordar a minha mulher: “Vanessa, eu venci o Isleiti”, falei. No que ela me respondeu com a voz rouca de sono. Tá bom, tá bom, agora dorme mais um pouquinho que ainda é cedo...

6 comentários:

Surf4ever disse...

Irado, muito bem descrito o sonho! Já para o "Isleiti" teria sido um "fucking nightmare"! Muito doido mesmo, o texto consegue transportar o leitor para a parada.
Falou,

Gustavo

Miguel S. Furghestti disse...

uhhadhauhsduau mto bom!! Não é todo dia que se vence o Kelly neh uhashahusd!! Gostei do texto chamou a atenção ;)!

Giovanni Mancuso disse...

Fala meu! Não desanima! Continuas fazendo parte de uma meia dúzia de dois ou três: nem em sonho a grande maioria de nós ganha do careca!
Abraços,
GM

Jefferson Lopes disse...

Meu querido,

Cada vez você me surpreende mais. Só falta agora tu sonhares com o Figueira Campeão do Mundo no Japão(hahahaha!!!)

Bruno disse...

Muuuito bom! hahahahaha

visita ai o www.monoquilhas.blogspot.com

abração

jefferson lopes, o shaper disse...

Karaka! Agora eu tenho um homônimo fazendo comentários. Como diria o Darci: "Arrombassi mo nêgo"!!!