sexta-feira, março 30

Verão sem fim...

Eu, Marcelinho, meu primo Wlamir e segurando no bico o ainda tímido Cléo Borges, hoje guitarra da banda Iriê.

Março está indo embora e a previsão é que o mar até o próximo dia 31 não suba. Se por um lado estamos tendo uma semana de mar praticamente flat por todo o litoral brasileiro, nossas praias continuam movimentadas nesse início de outono em função dos seguidos dias ensolarados. E essa onda de calor vai continuar!

Dias desses, depois de tomar uma dura da patroa aqui em casa, aproveitei para arrumar as minhas bagunças e para minha surpresa, acabei encontrando perdida, esquecida, no meio das bugigangas, uma foto histórica (pelo menos pra mim), que achava estivesse sumida em meio a dezenas de mudanças que fiz nos últimos anos.

O engraçado disso tudo é tê-la encontrado justamente nesses últimos dias de março. Eu explico: é que no último dia 20 esta foto completou exatamente 30 anos. Era verão de 1977. Depois de ficar em pé na prancha do meu primo Eduardo, uma monoquilha, Gordon & Smith 7’2, na praia do Forte, numa direitinha peeeer-feeeeei-taaaaa, num fim de tarde de sol e marolinhas, e de me empolgar de tal maneira com o surfe, acabei ganhando desse mesmo primo, como presente de aniversário, sua velha prancha, uma Gledson 7’1, com duas imensas bolhas na rabeta e com as bordas cheias de durepox.

Fecho os olhos e ainda lembro do “trampo” que foi para colocá-la dentro do carro e levá-la até nossa casa de praia em Ponta das Canas, no norte da Ilha, na Brasília 76 do meu pai. Da loucura que se transformou a nossa rua, com amigos e primos ao se depararem com a novidade e a garantia de diversão extra. Isso sem falar na dificuldade que passei em conseguir uma vela para fazer às vezes de parafina...

O mais legal, bacana, interessante é saber que através do surfe conquistei inúmeros amigos tanto dentro como fora d’água, isso sem falar em momentos incríveis de pura diversão e prazer. Hoje, após 30 anos, da emoção do primeiro drop, de ganhar a primeira prancha, a primeira cordinha, da primeira foto, mais do que nunca, o surfe continua fazendo parte da minha vida.

Aos primos Eduardo, Jathyr, Wlamir, Cléo e Ryan Borges. Nilton e Edson Martendal, Marcelinho, Davi Severo, Marquinho Sousa, Davi Severo, Gabriel Piccolli, Luis Gaguinho, Sapo, Neném, Vadinho, Vavo, Batata, Cristian, Douglas Siri, Carica, Vinicius (Zé), João e Bito, Betinho, Castro Pereira, Beda Batista, Fiu Faria, Bira, André Barcelos e Gilberto Schauffert, Rafael Diet, Ruba e Fabiano Farias, Niltinho Andrade, Quintino, Nando do Natural Mystic, Negão Paulinho, Leandro e Jacque Silva, Cupim, Fabio Carvalho, Beto Chede, Beto Barney, Stewson Crippa, Aloísio Alemão, André Mazú, Lico, Guilherme Coloninha, Zaia, Fabio e Paulo André, Basílio Ruy, Everton Luis, Plínio Bordin, China, Caxote, Kito da Guarda, Diogo Sardá, Cuíca e Rato Richard, Jefferson Lopes, Reinaldo e Reginaldo, Giba do Santinho, Beto Lip, Daniel Kuerten, Beto Mariano, Gilson e Renato Melo do Matadeiro, Duda, Fabrício Tavares, Marcelo Fernandes, Marcelo Martinez, Xandi, Xandinho, Flávio Mafra, Iran Garcia, Murilo Graf, João Amin, Almerindo Galo, Clóvis Albano, James Santos, Denis Cardoso, Sidney Orsi, Parafa (Garopaba), Roni Ronaldo, Josafá Fernandes, Rick, Alemão Maresias, Julio, Felipe Fernandes, Luli, Steward Dean, Ataíde Silva, Lúcio Bento, Paulinho Endyroy, Evandro dos Santos, Jorge Costa, Marcos Coelho, Nelson e Emerson, Marcelinho Siri, André e Alexandre Araújo, Jefferson Gabiru, Tinguinha, Fabinho Gouvea, Teco, André Faria, Fred’Orey, Rochinha, Serginho Laus, Motaury, Aldinho, Adriano Rebelo, Cachorrão da Mole, Daniel Liquid Trips, Humberto e Maurão da Hot Cordy, Gustavo, Gira, Miguelzinho, Túlio, Waltinho, Marquinhos Gonçalves, Chelo, Sandro Neto, os irmãos Dornelles, George, Heitor Provesano, Lido, Ricardo da Sul Nativo, Sergio Merlin, Matusa, Paulão do Anabá, Róger, Macuco, Mr Torta e Família Ciampollini, Edu Nigiri, James Thisted, Eduardo e Guto Amorim, Malhado, Jorge Rato, Rato da Déa, Marcos Lemkhul, Neno Brasil, Alemão da Vedacit, os primos Franco, Bruno, Glauco, Miguel e Lucas Furghestti, os Fernando(s) da Mole, Thiago Machado, Dani Margagliano, Kevin Concepcion, Nico, Marinho, toda raça de Itapírubá, a turma da Surfigueira, Tita, os malucos do Balneário do Estreito, e mais uma porrada de free-surfers, competidores, body-boarders, fotógrafos, e uma centena de "parceiros picaretas" espalhados por esse mundão.

Dizem que não existe nada melhor na vida do que surfar boas ondas ao lado de verdadeiros amigos... É a mais pura verdade! Feliz daquele que tem a oportunidade de entrar no mar e encontrar os seus no outside...

quarta-feira, março 21

Voltei pra vida...

Caio acelera na valinha de Itapirubá
Ultimamente não estou tendo vontade de escrever sobre nada. E não é preguiça não... Até tenho tido algumas idéias que gostaria de dividir. Queria comentar sobre a última temporada de verão recheada de boas ondas. Pensei também há alguns dias atrás em escrever sobre o prazer que senti ao brincar com meu filho Caio, de 10 anos, nas ondinhas na praia de Itapitubá no litoral sul de Santa Catarina. E mais recentemente ao acompanhar pela Sportv a etapa de abertura do WCT na Gold Coast, comentar sobre as baterias entre Josh Kerr e Fanning, Slater e Bede Durbidge. Porém, sabia que os comentaristas de plantão iriam produzir inúmeros textos sobre a abertura do mundial na Austrália. E mais uma vez eu ia “chover” no “molhado”...

A boa notícia, pelo menos pra mim, é que após ficar quase sete meses sem cair n’água – de maio a novembro – por pura e total falta de vontade e também em função de dores nas costas, pude enfim aproveitar o verão em família.

Me programei nessas férias de voltar a surfar diariamente e aproveitar o tempo “ocioso” para me renovar. E como eu estava precisando... Durante os últimos dias de dezembro, janeiro e fevereiro, até o carnaval não assumi qualquer compromisso. Nada me tirou da praia. Nem telefone eu atendi. Aliás, meu compromisso era acordar com o dia clareando, às 6 da matina, dar uma conferida no mar – uma boa corrida pela praia, e água.

Surfei na Vila de terral, na Ferrugem de maral. Nas praias do Mar Grosso, Cavalinho e Itapirubá e nas praias do Farol. Foram inúmeras marolas, direitas, esquerdas. Ondas grandes, alinhadas, em picos, abrindo e até muitas ondas fechando. Surfei com sol nascendo, com tempo nublado, com o sol se pondo e também com chuva.

Confesso que nunca me diverti tanto. Foi melhor do que qualquer viagem. Fiz novas amizades e curti momentos mágicos proporcionados pelo prazer de riscar a água com uma prancha. Com 4.0 nas costas e sentindo o motor ainda turbinado, voltei para a vida!

quinta-feira, março 15

Sabe...

Sabe, existem inúmeras possibilidades.
E é de enorme coragem a atitude de entregar-se a uma decisão.

Uma família, um sonho.
Um único momento.
Decido-me por este que vivo agora.
Neste mundo de muitos caminhos e infindáveis incertezas é de tamanha lucidez a escolha que ainda me espanto com os que elegem.

Onde se lê aquilo que querem que saibamos.
Escuta-se o que decidem ser audível.
E vive-se a miséria de uma vida de ilusões (sonhos que nem são nossos, mas de todos).

Nesta perdida paisagem algumas conseqüências brilham.
Lêem o que lhes apetece.
Ouvem a música do universo e vivem a vida que constroem.

Pois fazer uma escolha é riscar com um graveto a beira da praia.
Seu único caminho é o que está sendo feito.
Todas as outras possibilidades o mar já levou.
Todos os outros projetos não são caminhos.
Foram passagens...

Portanto escolha bem o seu graveto para que ele não se quebre no percurso.
Finque-o bem na areia.
Olhe para frente com estima.
Escolha o trilho que queres.
Deslumbre o destino que o aguarda e caminhe, ciente de que é só sua a decisão...

Publicado no Juice nº20
Por:1 menino.so

terça-feira, março 6

Domingo de chuva. Coisa boa!

O homem deixa sua "contribuição" após um dia de sol na praia
Não lembro exatamente o ano, mas acredito que deva ter sido 88, ou seria 89? Caracas, tô precisando tomar “memoriol”... Como ia dizendo foi durante um desses Hang Loose Pro Contest, disputado na Joaquina, que o tempo não colaborou e as finais foram disputadas sob chuva e vento forte.

Se em 86, na primeira edição saiu tudo a contento com altas ondas, swell épico de leste, esquerdas de 10 pés lá trás da pedra Careca e sol todos os dias, nas edições seguintes a coisa não foi bem assim...

Nessa época eu estava começando como surf-repórter na rádio Antena 1 Fm. Minha função era a de buscar fatos e curiosidades de tudo o que acontecia nos bastidores. Lembro que a RBS-TV transmitiu ao vivo os dois últimos dias de confrontos. Acredito até que tenha sido a primeira transmissão de uma emissora brasileira direto da praia.

A apresentação comandada por Marcus Ouriques era avalizada pelo shaper Avelino Bastos, que de forma ponderada procurava passar aos telespectadores as noções básicas desse universo um tanto quanto “complexo” de manobras, somatórias, classificação, baterias e repescagens.

Mas era na beira da praia que estava o problema já que a repórter não entendia absolutamente nada do riscado. O pessoal da imprensa de outros veículos acompanhava as baterias pela tv numa sala montada junto ao terminal turístico e ao mesmo tempo se divertia com as “cagadas” ao vivo da intrépida repórter.

Num certo momento, empolgada, ela invadiu o mar com microfone em punho para entrevistar o carioca Pedro Muller que acabara de competir. Ao se aproximar do Águia que havia vencido uma bateria do Peak Trials, ela manda a seguinte pergunta...

Pouca gente viu você ganhar essa disputa. Com esse tempo chuvoso, pouca gente na beira da praia, isso não é chato para um competidor? Pedro, na sua tranqüilidade habitual, respondeu que disputar um campeonato em condições de chuva era ótimo porque não havia aquele assédio do público e que com isso a sua concentração era bem maior e tudo rolava de uma maneira tranqüila, sem tanto burburinho. A essas alturas, a repórter não entendeu mais nada e incrédula voltou aos estúdios...

Fico amarradão quando a previsão do tempo indica chuva para o final de semana, principalmente durante a temporada de verão e em feriados prolongados quando o crowd em nossas praias é bem maior. Nesse carnaval uma frente fria trouxe chuva acompnhada do vento sul.

Não, eu não estou de mal com a vida! A verdade é que não aprendemos ainda curtir um dia de sol em nossas praias. Somos muito mal educados ao deixar-mos pela areia, copos plásticos, bitucas de cigarro, cocos, pauzinho de picolé, embalagens de biscoitos. E não me venha com esse papo de que surfista está realmente preocupado com a preservação das nossas praias...

Enquanto não tivermos consciência, que venha o temporal...

terça-feira, fevereiro 27

Verão é tempo de mentir...

Fevereiro tá indo embora. Março vem chegando. Cá entre nós, prá quem mora no litoral, o mês de março é sem dúvida alguma o melhor de toda temporada. Além do crowd menor no outside e nas areias, tudo fica mais calmo: trânsito, bancos, supermercados, shoppings. Isso sem falar no lixo deixado nas praias! Sem comentários...
Durante a temporada de verão somos bombardeados com informações, propagandas, comerciais enganosos. (lêr texto abaixo) Os "exxxxxpertos" querem de alguma forma tirar vantagens e na carona algum troquinho a mais... A enganação então, come solta.
E o que dizer dos comerciais das festas eletrônicas veiculados nas emissoras fms. Os dj's de forma impressionante são sempre os melhores do Brasil e do mundo. Como tem dj's bons, não?
A foto aí em cima é de um outdoor na Lagoa da Conceição em Floripa e "divulga" mais um "grande" acontecimento na cidade. Como é que é? Primeira onda artificial do país? Acho que eles ainda não conhecem a piscina de ondas lá no interior paulista.
Depois de mais de 60 dias de pernas pro ar em Imbituba, numa das melhores férias da minha vida, estou de volta por aqui...
Fazê o que?

quarta-feira, janeiro 31

Me engana que eu gosto...

A praia não tem nada haver com isso...

Os dicionários da lingua portuguesa apresentam diferenças entre o que é propaganda e publicidade, apesar de serem sinônimos. Propaganda vem do latim – coisas que devem ser propagadas. Propagação de princípios, idéias, conhecimentos. Expressão genérica, que envolve a divulgação de coisas e também de idéias. Quando tem objetivos comerciais chama-se popularmente de publicidade. A publicidade nada mais é do que o ato de se tornar público...

Pois bem. Dias desses de rádio ligado em uma emissora fm aqui da cidade, dentro do carro enquanto procurava uma opção para surfar, escutei a chamada “oficial do evento” divulgando a etapa catarinense do WQS. No comercial, acredito que antecipadamente aprovado por patrocinadores e promotores, obviamente, dizia “...que os melhores ou os (principais) surfistas do mundo estariam no nosso litoral competindo de 30 de janeiro a 4 de fevereiro”...

Mas, espera aí! Você que é do surfe e não é nada bobo, me responda rápido: Quem são, hoje, os melhores surfistas do mundo no Circuito Mundial Profissional organizado pela ASP? Será que vamos vêr Slater, Irons, Taj, Fanning, Parkinson em ação nesses dias ensolarados de verão nas águas geladas e transparentes da praia do Santinho no norte da Ilha?

Diz o ditado que a “propaganda” é a alma do negócio, e que ela foi criada para vender bem o peixe... Agora, enganar os ouvintes com esse papinho de que os melhores do mundo vão estar em ação por aqui em época de marolas, ninguém merece. Esse comercial que continua no ar, veiculado diariamente, tem bem a cara do seu patrocinador.

Ainda bem que nem todo mundo é tanso por aqui e sabe que quem vai estar competindo nesses próximos dias na praia do Santinho são também bons surfistas, muitos deles desconhecidos, que buscam pontos, dinheiro e destaque para ingressar na seleta elite do surfe mundial profissional.

Sinceramente não consigo mais conviver com essa gente querendo se dar bem enganando, ou tentando ludibriar os outros. Procon neles!

terça-feira, dezembro 26

Tô indo...


2006 tá indo embora...
E eu vou aproveitar pra pegar uma carona nessa "barca" e também tirar uns dias pra descansar. Chega de trânsito, computadores, reuniões, compromissos, horários, projetos...

Pra você leitor do “Alohapaziada” desejo um 2007 especial, carregado de saúde, conquistas e realizações. E que possamos nesse novo ano que está chegando fazer um mundo mais digno pra se viver...

Eu e o Alohapaziada voltamos em fevereiro!
São só trinta dias e eles passam rapidinho.

Ps:
O boletim pelo telefone (48) 3028 9494 segue rolando diariamente direto das praias de Garopaba, Imbituba, Laguna e Farol de Santa Marta... É só ligar para saber como está o tempo e o mar por lá...

Ah! A ligação é grátis!

sexta-feira, dezembro 22

Para todos nós...

Que bons ventos nos tragam saúde, paz e justiça em 2007!

E que assim seja...

quinta-feira, dezembro 21

O guia do surfe vem aí...


Se viajar faz parte da natureza humana, então, pelo quinto ano consecutivo estaremos lançando nos próximos dias, início de janeiro, mais uma edição do Surf Guia Brasil. Uma lista ilustrada de praias surfáveis do litoral catarinense produzida em três idiomas: português, inglês e espanhol.

De Itapema do Norte, na divisa com o litoral do Paraná, até Passo de Torres, na divisa com o litoral gaúcho, tudo foi checado. Mapas rodoviários, acessos, ondulações, ventos, tamanho médio diário das ondas e o crowd. Também uma relação de shapers, serviços emergenciais e de onde comer e dormir.

A maioria das fotos é de autoria do Basílio Ruy (Fluir). Outros fotógrafos também colaboraram, destaque para Iran Garcia, Marcelo Mancha, Luciano Saraiva, Clóvis Albano, Everton Luis e Plínio Bordin que cederam imagens de ondas clássicas quebrando ao longo do litoral barriga-verde.

A parte gráfica, designer e visual ficou por conta da Officio Comunicação. Já os textos sobre as condições de cada praia foram pesquisados há algum tempo e atualizados. Você vai encontrar o guia nas surf-shops locais e bancas de todo sul do país.

Tudo bem mastigadinho...

terça-feira, dezembro 19

Na onda do Rio Canoas...

Fernando Moniz faz parte das primeiras gerações do surfe brasileiro. Carioca, trocou o Rio de Janeiro pela então pacata Floripa em meados da década de 70 na busca de paz e de sossego que já não encontrava na cidade maravilhosa.

Em Florianópolis com ajuda de amigos desbravou praias, curtiu ondas vazias e inclusive deu nomes a alguns picos. O Lambe-Lambe, uma direita que quebra em condição de point-break no norte da Ilha, foi batizada num dia de grande swell de leste. As ondas lambiam o costão e marchavam alinhadas até a beira da praia, conta.

Durante muitos anos Marreco viveu intensamente o surfe pelo litoral de Santa Catarina. Um verdadeiro fissurado. Morou um bom tempo em Itajaí e dividia as ondas da Atalaia com seu amigo Lars, mas fixou residência na Barra da Lagoa e teve a oportunidade de curtir as lendárias direitas antes da construção dos molhes de pedras.

Porém, com as recentes mudanças no astral da cidade, e o conseqüente crescimento da violência, Moniz vendeu seus imóveis, acabou com sua escolinha de surfe e resolveu que já era hora de buscar novas paisagens e numa espécie de auto-exílio mudou-se novamente de mala e cuia para Urubici – no meio oeste catarinense.

Mas como ficar longe do surfe? Fissurado por ondas e com muita água salgada nas veias, Marreco encontrou uma marola clássica no rio Canoas que passa próximo a sua casa e hoje divide o seu tempo entre uma “caída” no rio e seu restaurante Taberna do Marujo onde é o chef. O crowd aqui se resume a algumas vaquinhas no gramado, brinca.

As imagens abaixo são do videomaker André Tassinari que esteve na cidade serrana de Urubici – uma das mais frias do Brasil, no início de novembro na companhia de seu camarada Yuri Castro. Foi um encontro de gerações “na onda” do Rio Canoas...

Vá visitá-lo. A diversão é garantida...


sexta-feira, dezembro 15

Tudo o que havia a ser dito...

Dizer mais o quê dessa final inacreditável no Pipeline Master 2006. O fdp (no bom sentindo...) do Marreco! já colocou no seu blog.... Agora tudo o que for dito é chover no molhado...

Como foi bom ver Slater perder, hein?
Um prenúncio de 2007 fantástico...
Ou você leitor acha que Slater vai engolir assim, fácil, essa derrota acachapante...

A “secação”por aqui foi grande...

Para alegria dos “Galos da Zimba” que ficaram a ver navios durante a etapa brasileira do Tour sem a presença do todo poderoso...

Que venha Snapper, Bells, Teahupo, Cloudbreak, La Jolla, Trestles, Lacanau, Hossegor, Mundaka, Vila e o Pipeline Master 2007...

Slater X Andy Irons?
Quem leva no ano que vem?

Façam as suas apostas...

quinta-feira, dezembro 7

Ainda nessa onda revival...


A foto aí em cima é de um momento ímpar do surfe carioca. Foi tirada em meados dos anos 70 nas areias de Ipanema no Rio de Janeiro. O Brasil respirava o ar pesado vindo da revolução de 64, do governo militar, da ditadura e do AI-5... O pier era um emissário submarino que a prefeitura carioca construíu para levar o esgoto da cidade até o alto-mar. As areias recolhidas pelos tratores formavam dunas.

Virou o ponto de encontro dos mais descolados, e onde tudo ou quase tudo era permitido. Famosos, anônimos, se misturavam aos surfistas, artistas, poetas, músicos, políticos, numa verdadeira “Torre de Babel” num mundo à parte. Estávamos no auge da contra-cultura, início do movimento hippie por essas bandas...

Nela aparecem Zeca Proença, Vandherbilt e Pepe Lopes. E quem quiser conferir outros momentos congelados daquela década e saber um pouco mais sobre o que significou o Píer para os cariocas basta clicar aqui.

Mas, como eu ia dizendo, sempre quando escuto, leio, ou mesmo vejo algo sobre o Vandherbilt, logo me vem a cabeça um episódio inusitado e até, por que não dizer engraçado, desse que foi um dos melhores “fazedores de pranchas”...

Vandherbilt trabalhava na Mar Cristal. Foi lá que eu o conheci, um pouco antes de falecer, no início dos anos 80 num acidente no trecho sul da BR 101, quando retornava para sua casa em Garopaba após uma semana puxada aqui na ilha.

Requisitado por 9 entre 10 surfistas brasileiros, Vandherbilt era uma máquina... Com ele não tinha tempo ruim. Chegava cedo na fábrica e só parava a produção quando os braços já não agüentavam mais.

Tive a oportunidade de vê-lo shapeando 10 pranchas ao mesmo tempo. Isso mesmo! 10 pranchas produzidas simultaneamente. E o mais incrível, ele shapeava ao ar livre. Não tinha essa de sombra, de meia luz... O sol do meio-dia era o seu guia. Realmente, dentro da fábrica (um grande e velho galpão), o calor era mesmo infernal.

Nas mãos a plaina sempre ligada a uma enorme extensão plugada na tomada. Ele nos divertia com a sua velocidade e precisão!(?) Na primeira passada tratava logo de baixar as bordas. Depois, em sentido contrário, desbastava todas as outras bordas. Na seqüência, fazia os fundos e quando todos já estavam prontos, ajeitava os blocos nos cavaletes e finalizava o dome-deck. Tudo ao mesmo tempo!

Louco ou um gênio? Vandherbilt apurou o seu instinto na arte de shapear com o auxilio da luz do sol, e suas pranchas eram objetos de desejo mundo a fora...

“Tá tudo certo”, dizia ele com um sorriso no canto da boca, empilhando mais uma série de blocos...
Vai entender...

Em tempo de Pipeline Masters...

Pipeline Masters o mais novo filme de Stacy Peralta.
Olha aí...

terça-feira, dezembro 5

Sem cordinha...

Peter Cole - Waimea Bay '67

... “A cordinha me irrita mais que tudo. Eu me recuso a usar cordinha! Criou essa coisa de quantidade. Os caras dropam no rabo da onda, voltam pro outside, pegam outra, voltam e pegam mais uma. E eles sentam no inside, então quando uma série aparece, eles todos largam as suas pranchas, ficando sempre no caminho. Se eles não tivessem uma cordinha, não estariam sentados no inside! Muitos deles, se quebram a cordinha, precisam de ajuda para sair do mar! Eu acho que a cordinha arruinou o surf. Em Sunset, você não precisa de cordinha, e tem vários caras que não usam para surfar lá. Michael Ho, Derrick Doener, Bredan Shea e Guy Pere. Nos dias pré-leash, todo mundo sabia nadar, mergulhar e pegar jacaré. Se você conseguisse mergulhar 30 metros e segurar o seu fôlego por dois minutos o que é uma vaca de 20 segundos? José Angel nunca se preocupou com as vacas porque ele era um mergulhador de primeira. Buzzy Trent, Pat Curren, Rick Grigg – todos ótimos mergulhadores e nadadores. A etiqueta do surf não melhorou durante os anos. Eu não sei nem mais se alguém sabe que a pessoa que fica em pé primeiro ou dropa mais deep tem direito àquela onda. Eu não entendo esses caras. Eles não prestam atenção. Você os vê rabeando e estragando a onda dos outros. É triste! Normalmente os melhores surfistas são os mais educados dentro d’água”...

Peter Cole, pioneiro no North Shore nos anos 50 em entrevista para a revista Fluir de novembro. 75 anos surfando sem cordinha...

domingo, dezembro 3

A privatização da Ilha e a minha estupidez...

Praia Brava de Floripa mudando pra pior!


Eu sou um ignorante porque não consigo ver como o turismo pode ser bom para a Ilha de Santa Catarina. Sou um tanso porque, ao mesmo tempo em que não tenho nada contra os turistas nem contra quem vive (ou tenta viver) honestamente da atividade em Florianópolis, sou incapaz de entender as aberrações que são permitidas na cidade e justificadas por que fomentariam o turismo.

Sou mesmo uma besta porque concluo que o turista vem para a Ilha em busca de belezas naturais e acho que isso não combina com aquele desmatamento gigantesco que ocorreu há pouco tempo em Jurerê e que o Ministério Público está investigando. Totalmente banzo, não acredito que as pessoas que vêm passar uma semana na Ilha comprem lotes milionários naquela praia. Nem que os destruidores daquela área ou os compradores de casas, apartamentos – sei lá o que vão inventar lá –, venham a gerar um emprego sequer no local.

Sou um abobado por desconfiar que, além de colar papelzinho no Arante, a grande maioria das pessoas que vem curtir Florianópolis quer ver é o mar, não mansões à beira dele. Esses turistas, da espécie que em grupos de 10 aluga casa na Lagoa, querem poder chegar à praia sem ter que invadir qualquer propriedade privada.

Sou um demente porque vivo batendo na tecla de que o que aconteceu na Praia Brava foi um desastre gigantesco, um prejuízo para todos, menos para os dois ou três empresários que ganharam e continuam ganhando dinheiro vendendo apartamentos cafonas, com nomes estrangeiros, que eles e os compradores nem sabem o que significam.

Os cinqüenta ou cem (sub) empregos gerados não explicam a atrocidade que representou a destruição total daquele lugar maravilhoso, que era meu, que era dos turistas, que era de todos nós e que agora é de meia dúzia de três ou quatro.

Sou um maníaco porque dei para rogar pragas e desejar que a próxima ressaca arranque aquela piscina que botaram lá, agora, quase dentro do mar. Aí, ao mesmo tempo, o panaca aqui vê que os caras que um dia autorizaram toda essa maldade, fecharem os estacionamentos da Praia Mole porque estes estariam (e até acho que estavam mesmo) crescendo demais. E querem também derrubar aqueles butecos e tudo.

Sou tão imbecil que até concordaria com o fim dos dois ou três butecos e também dos estacionamentos, se fechassem ao mesmo tempo os butecos, boates, sei lá, toda aquela nojeira da Praia Brava. Na minha mediocridade, tenho certeza que tem alguém muito espertalhão por trás dessa “utilização da lei” na Praia Mole, alguém de olho naquelas terras tão valiosas em frente ao mar, excepcionais para se por prédios, um “chateau de la mer” ou um “beach village”, quem sabe.

Sou um panaca porque rio quando lembro que o Sufoco, aquele bar lá do Campeche, foi derrubado pela Prefeitura e, enquanto isso, o Bar do Pirata continua a toda na Brava. (Do jeito que a praia está sumindo por não ter mais as dunas que lhe equilibravam a quantidade de areia, daqui a pouco neguinho vai poder mergulhar no mar direto da mesa do bar-palafita). Me digam por favor, respondam a esse bitolado aqui, qual é a diferença entre a os dois butecos, o do Pirata e o do Sufoco? A condição financeira dos donos? Ah, tá, agora entendi.

Alguém aí me dá uma luz e me explica quem é mais predatório, quem é mais selvagem e ganancioso, o crescimento dos estacionamentos da Mole – onde estacionam pagando, todo o verão, milhões de turistas não tão abonados – ou o constante avanço do Resort Costão do Santinho sobre o costão, restinga, dunas, todas aquelas áreas que eram públicas e que agora são de um punhado de milionários?

Nisso tudo, o meu espírito de porco só consegue enxergar pesos e medidas diferentes usadas com o único objetivo de se sepultar esta ilha sob uma lápide de concreto armado. No epitáfio, em letras coloridíssimas, ficará registrado: “Santa Catarina Island Resort Residence. Keep out”.

Texto extraído do blog do Pierre Alfredo.

terça-feira, novembro 28

Infelizmente...

Tem um ditado que diz: “Quem lê, viaja”. A Rede Globo, inclusive, há uns anos atrás usou essa tirada para uma ação bem legal, com objetivo de fazer com que o povo brasileiro buscasse através da leitura novas informações. E nos intervalos dos principais programas da emissora, lá estava um ator conhecido dando exemplos e dicas de como buscar na leitura o conhecimento. Eu, particularmente, tenho lido bastante nos últimos anos. Confesso que sou um cara que não gosta de livros, prefiro uma boa revista, e minha disposição é para textos mais sintetizados.

Em se tratando de surfe, nas antigas, ávido por novidades, recorria ao meu primo Eduardo que colecionava as famosas Brasil Surf. Aquelas revistas rolavam na mão da galera e eram tratadas como verdadeiras preciosidades. Dias desses, numa visita à casa do meu amigo Rochinha, pude conferir todos os exemplares da primeira revista de surfe produzida por aqui. Quase todas em ótimo estado de conservação. Uma raridade!

Ainda moleque um dos meus maiores prazeres era ir à banca comprar mais uma edição das revistas Pop e Visual Esportivo que teimavam em não chegar. Foi assim também com a Visual Surf, Fluir, Inside, Trip, Surf News, Staff, Now, e mais recentemente Hardcore, Nuts e Alma Surf. Conseguia, vez por outra, uma edição das gringas, lá na banquinha da rua Anita Garibladi. E tinha também a Surfer em português, feita pelo Carlos Loch.

Teve um tempo que assinei a Fluir, mas logo desisti em função do atraso. Ficava indignado quando passava pela banca e lá estava a revista exposta. A minha sempre chegava dias depois... Foram seis meses de pura tortura com aquela pôrra de assinatura. E o pior era, ainda por cima, escutar as desculpas e o maior "migué" da funcionária da editora quando eu ligava para reclamar dos atrasos freqüentes.

Na minha humilde opinião os falecidos jornais cariocas Staff e Now, produzidos nos anos 80 e início dos 90, foram, sem sombra de dúvidas, os melhores veículos especializados já produzidos por essas bandas. Os dois deixaram uma grande lacuna. Com textos de bom conteúdo: quem não lembra da matéria quanto vale um pro? E Abrasp não é feudo! Informações irreverentes, numa época sem as facilidades do mundo virtual que hoje nos norteiam. Receber o Now em casa era estar na vanguarda. As cartas dos leitores então, eram divertidíssimas. Tinha um maluco, um tal de Reinaldo Richter (acho que era assim), com suas observações impagáveis. Por onde anda esse desequilibrado?

Mas o que queria mesmo dizer é que acabo de ler mais uma edição da Harcore. A de novembro trás na capa o nordestino Pablo Paulino, vencedor de uma pesquisa que já acontece há seis anos sobre quem são os 20 melhores surfistas brasileiros sub 20. O fio condutor da reportagem, destaque desta edição, é que a escolha é feita pelos próprios moleques.

Nesse ano alguns novatos, como sempre acontece, apareceram na relação, caso de Mateus Toledo e Miguel Pupo (sobrenomes de campeões), Raphael Rocha, Halley Batista e Jadson André. Outros, já acostumados a figurar entre os melhores, como Heitor Pereira, finalista em todas as edições passadas, além de Hizunomê Berttero, Junior Faria e Mineirinho, destaques dessa pesquisa nos últimos quatro anos.

Vale lembrar que o resultado dessa votação, de acordo com o que o próprio editorial ressalta ...é pura e simplesmente o reflexo da visão deles. Nada haver com resultados e posições nos circuitos, nada sobre números e lógicas”...

Mas se nós analisarmos bem, vamos notar que se esses são os melhores surfistas brasileiros em ação no momento, então, contrariando o que muitos pensam, realmente vai demorar muito mais de 10 anos para produzirmos um campeão mundial. Sem desmerecê-los eu pergunto: Quem desses 20 surfistas mencionados tem boa experiência em fundos de pedra, em points breaks, em ondas pesadas? O próprio Pablo Paulino, vencedor das últimas três votações do Sub20 consecutivas, não arrumou nada nas competições mundo afora...

Tô achando é que vamos ter que esperar sentados!

sábado, novembro 25

O tempo não para...

Um campeonato que veio para mudar definitivamente a cara do surfe competição no Brasil. Assim foi o 1º “Festival Olympikus de Surfe”, disputado nesse verão na Joaquina. Li isso, não lembro onde... Acho que tô precisando tomar “Memorial”.

Na foto acima, Dadá Figueiredo (diabo) e Bita Pereira (deus), se encontram nas areias da Joaca em 82.

Saiba o que aconteceu e quem levou, clicando aqui.

Recordar é viver...

quinta-feira, novembro 23

Em outra sintonia...

Você que me lê, sabe dizer, quem foi o primeiro campeão mundial lá nos longínquos anos 70? Lembra, por acaso, qual o pico preferido do Tom Carroll na Austrália? E quem levou aquela final épica entre Curren e Occy no Op Pro na Califa?

Essas são algumas perguntas relativamente fáceis de serem respondidas, principalmente se você é um cara mais velho e está envolvido com o surfe há alguns bons anos. Esses assuntos são geralmente mencionados nas rodas de amigos, das antigas, naqueles bate-papos revival. Quem viveu naqueles anos sempre tem algo para contar.

Mas também existe uma moçada que não está nem aí para datas, rankings, resultados de campeonatos e outros acontecimentos marcantes nesse mundo das ondas. Muitos até lembram, mas não absorvem a informação. Outros, realmente, dão de ombros...

Eu mesmo tenho um primo que se amarra em surfar, mas nunca gostou desse lado, digamos, competitivo do surfe. Seu maior prazer ainda é, e lá se vão trinta e poucos anos, sentir a água salgada pelo corpo logo nas primeiras horas da manhã. Costuma chegar à praia invariavelmente antes do primeiro raio de sol e já está pronto, arrumado, para ir embora quando o crowd está começando a se formar. A sua maior fissura ainda está em caminhar pela praia deserta, remar até o outside e pegar a primeira onda do dia.

E mesmo gostando tanto do surfe, pegando onda quase que diariamente, não costuma ler nada relacionado ao assunto. Jamais comprou uma revista especializada. Para ele, Fluir, Hardcore, Surfing, Surfer e Alma Surf, não significam nada. E mesmo com as facilidades do mundo virtual, não possui o menor interesse em visitar uma página na internet para saber as últimas novidades ou conferir a chegada de um novo swell. Avesso ao mercado, para ele os donos das empresas de surfwear morreriam de fome...

Outro dia, enquanto conversávamos, disse que não acreditou quando me ouviu pelo rádio, informando que tinham altas ondas. Perguntou-me como tive a coragem de chamar o crowd num dia de ondas perfeitas, e por mais que eu tentasse explicá-lo que essa é a minha função como surfe-repórter, não aceitou.

Alienado? Extremista? Que nada. Cuíca (é o seu apelido) é um cara tranqüilo, boa gente, inteligente, viajado, com duas faculdades, além de inúmeros cursos, pós, doutorado e coisas mais. Além de ser um cara do bem, uma grande figura, na verdade o que o difere dos demais mortais é que para ele o surfe é simplesmente um momento de puro prazer. Exímio tube-rider, se garante andando por trás da cortina quando o mar sobe.

Por vezes, quando estou envolvido na organização de campeonatos, na promoção de eventos, ou mesmo na correria do dia a dia do boletim para a rádio e no serviço que disponibilizo pelo telefone, chego a acreditar que ele é quem tem razão...

Respostas lá de cima: O australiano Peter Townend foi oficializado como o primeiro campeão mundial em 76 no circuito organizado pela extinta IPS. North Narrabeen é pico favorito de Carroll quando está em casa. Curren faturou o Op Pro de 86, embora muitos digam que Occy quebrou durante aquela final numa Huntington beach lotada.

quinta-feira, novembro 16

Sonho ou pesadelo?

Você está preparado?
É a decisão do Campeonato Citadino de Surfe.
Estamos em 2020...

Imagine que, na foto acima, onde você vê um gramado, é na verdade uma grande piscina com ondas. A mais moderna piscina de ondas já produzida pelo homem.

Nela, quebram direitas e esquerdas perfeitas entre 1,0m e 1,5m... As ondas são longas e bem manobráveis, basta remar forte, escolher o lado e botar pra baixo...

Para a grande final foram vendidos todos os ingressos disponíveis. Os mesmos, comprados antecipadamente, por um público apaixonado e carente de ídolos do esporte. Ah, e os ingressos são numerados, cada qual em sua cadeira...

E veio gente de todos os lugares: Brava, Ingleses, Santinho, Moçamba, Barra, Mole, Joaca, Campeche, Morrão, Matadeiro, Açores e Solidão...

Sonhar não custa nada.
Quem sabe no futuro?

quarta-feira, novembro 15

Um pouco mais da nossa história...

Faz tempo!
Quarta-feira, 15 de novembro de 2006 de céu claro com sol. Após três dias de ventos fortes – lestada, e tempo chuvoso, hoje deu praia com boas ondas. O que não faltou foi opção de surfe pelo litoral. E você sabe porque hoje não teve aula e o comércio esteve fechado?

A Proclamação da República de hora em hora:

6h
Informados sobre a intensa movimentação que ocorria em todos os batalhões militares do Rio de Janeiro, os ministros integrantes do gabinete de governo liderados pelo Barão de Ouro Preto se reúnem na secretária do Império para discutir formas de enfrentara a Revolução que já se anunciava. Enquanto isso, as tropas republicanas começam a mobilizar-se pela cidade: Uma grande parte do Corpo de Polícia desembarca na corte, vindo de Niterói, para se unir ao Marechal Deodoro. Outra parte da força fica na ponte da armação, a espera de embarcações. O 7º e o 10º batalhões, além do Corpo de Bombeiros, amanheceram vazios. Os soldados começavam a dirigir-se para o campo de Santana.

7h
Uma força de fuzileiros navais sobre a rua do Ouvidor e começam a ser ouvidos pela cidade as primeiras palavras de ordem em defesa da República gritadas abertamente. Os soldados estão prontos para o confronto armado. Todos os oficiais que acompanham o grupo levam revólveres nas cinturas.

8h
hÉ quase impossível chegar ao Campo de Santana devido ao grande número de soldados que para lá se dirigem com o objetivo de unirem-se aos líderes republicanos. Uma força do 10º batalhão, fiel à monarquia, ocupa todo o Largo da Lapa para impedir a passagem provável de estudantes da Escola Militar, que apoiaram maciçamente a revolução republicana. Das janelas do palacete do Itamaraty parte uma descarga de tiros sobre o povo que já começava a saudar a chegada da República.

8h30
O marechal Deodoro da Fonseca encontra-se com o barão de Ladário, que ocupava o cargo de ministro da Marinha, na entrada do Ministério. O sr. barão, afirmando que tinha a obrigação de defender a monarquia, saca duas armas com o claro objetivo de atacar Deodoro. Um praça do Exército que presencia a cena entra em ação e atira contra o sr. Barão, que cai ferido imediatamente.

9h
Todas as estações de polícia são fechadas na cidade. A movimentação de militares nas ruas é cada vez maior. À porta de uma taverna em uma esquina da rua são Lourenço pode ser visto o barão do Ladário, com um ferimento na fronte, à espera de cuidados médicos.

9h30
Militares republicanos tomam a secretaria do império e cercam a sala onde ocorre a reunião do gabinete ministerial. Os revolucionários dão voz de prisão aos ministros, e afirmam que todos seriam liberados assim que enunciassem a seus cargos. A situação torna-se tensa, até que o Marechal Deodoro garante que nenhum dos monarquistas sofreria qualquer agressão ou retaliação, desde que concordassem em reconhecer o novo governo.

10h
Os integrantes do ministério monarquista, sem enxergar outra saída, rendem-se e concordam em anunciar a renúncia coletiva. O Marechal Deodoro encaminha-se para o Campo Militar de Santana, onde representantes das Forças Armadas o aguardavam, já festejando o sucesso da revolução e o início da República em nosso país.

10h30
Deodoro entra no quartel de Santana em triunfo, abraçado, entre aclamações. O exército dá vivas à República. É o grito que se ouve em todo o Campo de Santana e em toda a cidade. Alunos da Escola Militar passam pelo Largo da Lapa, pois os soldados monarquistas já não ofereciam.

10h45
O marechal é carregado em triunfo. O 2º batalhão de artilharia dá uma salva de 21 tiros. O Exército, a marinha e o povo dão vivas à revolução republicana e à Nação brasileira.

Fonte: Folha On Line

Alohapaziada também é cultura...