terça-feira, dezembro 21

As voltas que a vida dá...

Como não estou podendo surfar nesses últimos meses - no estaleiro desde agosto - em função de um novo problema no meu joelho esquerdo, tenho ficado e curtido bem pouco à beira mar. Na real, ultimamente, não tenho sentido vontade de absolutamente nada. Mesmo do blog dei uma sumida. Confesso que sinto dificuldades até pra acordar. Minha alma anda cansada, triste. Nada têm me empolgado muito nessa reta final de 2010. Não estranhe, sou assim mesmo. Alterno momentos de felicidade com situações de profunda melâncolia. Dizem que é depressão. Mas eu me pego pensando e volto no tempo pra lembrar que desde garoto já curtia andar sozinho lá em Canasvieiras e Ponta das Canas onde vivi minha infância. Gostava de caminhar nos fins de tarde e de bicicleta pedalar sem destino. Nunca fui de andar em turma... Sei que tem gente que gasta uma fortuna com psicólogos e psiquiatras na busca de entender seus problemas. Eu, fico bem quietinho no meu canto, esperando esse momento de dor ir embora...

Afastado da praia, nesse final de semana resolvi conferir o campeonato de skate promovido pela Red Bull com a participação de vários legends no Bowl do Rio Tavares. Não é todo dia que se pode assistir de perto Hosoi, Caballero, Omar Hassan, Ueda e cia ltda em ação.

O evento aconteceu no alto do morro da Pedrita numa área verde de visual sureal. A rampa construída na casa do amigo André, pai do Pedrinho Barros, hoje uma das sensações do skate mundial é internacional. André foi proprietário de uma franquia de uma loja no fim dos anos 90 da marca carioca Redley. Nossa amizade vem dessa época. Em 96 colaborei na divulgação do primeiro campeonato de vertical na cidade. Lembro que o vertical estava renascendo e com poucos praticantes. Numa mega-rampa (pra época) nas areias da Praia Mole passaram Ueda, Urina, Narina e um tal de Mineirinho (ainda um molequinho desconhecido). Esse evento marcou época e influenciou gerações. Uma espécie do que o Hang Loose Pro Contest 86 foi para o surfe nacional.

A partir daquele evento, disputado num final de semana ensolarado e de praia lotada, essa molecada do skate, capitaneada pelo Dranho da Drop Dead e pelo Léo Kakinho (outro skatista paulista que já morava na ilha) resolveu se mudar de mala e cuia pra Floripa e o bairro do Rio Tavares passou a ser o QG dessa turma de "imigrantes". Estava estabelecido o movimento RTMF: Rio Tavares Mother Fucker. Um grupo de amigos que se reúne pra assar uma carne sobre o pretexto de fazer um som, festar, comemorar e bebemorar...

O mais legal disso tudo é saber que o André verdadeiramente se empolgou com o skate. Cansei de vê-lo dias depois, no clarear da manhã, embalar de forma desequilibrada o seu carrinho nessa mega-rampa que durou ainda alguns bons meses lá na Mole. Um tempo depois, André negociou sua loja no Shopping, o filho Pedrinho nasceu, e ambos foram morar um tempo fora do País.

Tudo isso pra dizer o quanto é interessante observar as voltas que a vida dá. De uma loja de surfe, depois de um evento de skate, a empolgação pelo novo, o universo do skate, o filho, e atualmente coordenando a vida do Pedrinho nas competições mundo afora. André estava radiante, recebia a todos com um largo sorriso no rosto. O evento nem preciso dizer foi um tremendo sucesso. Mesmo com pouca divulgação, o público "invadiu" sua propriedade pra curtir de forma civilizada os antigos e os novos astros do skate mundial. E o Pedrinho (foto) foi um show a parte. E as perguntas que ficam: Quantos novos skatistas irão surgir a partir desse evento? Quantas vidas irão tomar novos rumos após esse fim de semana?

2 comentários:

Tora disse...

Grande Maurio, estes altos e baixos do humor são de lascar né. Se tiveres oportunidade, faz uma viagem, mesmo que bem curta, pois para mim, funciona meio que carga rápida de bateria. Dá aquele "up".
Tira a gente daquela rotina.
Cara, te desejo um super novo ano e tudo de bom para todos que te rodeiam. Paz, luz no coração.Aloha.

Anônimo disse...

Big palavras do Tora, mas amanhã, sim amanhã, falo c/vc, dou umas dicas de luz.
Abçs, Figuera
Castro